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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre o sistema de cotas: muita polêmica e pouca ação

Por: Thaís Santana (Opinião)
Falando direta e objetivamente: as autoridades não podem usar o sistema de cotas como forma de consertar o sistema de ensino público do país. Trata-se de mais um recurso paliativo, prolongado até que seja colocado à prova mais uma vez, como acontece agora no Rio de Janeiro. A questão a ser discutida, na verdade, não é o sistema de cotas; é a reforma necessária das bases educacionais do país. Mas esta é uma questão estrutural, e, como disse, histórica. Trata-se de um debate que exige cautela e tempo e a participação de toda a sociedade.

A discriminação acontece muito antes do sistema de cotas. Ela começa, principalmente, nas divisões que nós mesmos fazemos ao dizer que, sem cotas, aqueles a quem elas são destinadas são incapazes de conseguir ingresso nas universidades. Cabe a nós o esforço de abandonar de vez o discurso e partir para prática. O Estado é só mais uma instância da vida em sociedade; nosso maior erro é acreditar que devemos permanecer aguardando, enquanto os homens da política fazem o resto. Questionar e, principalmente, ajudar o país a se mexer é nosso direito. Mais importante que isso: é um dever. Pensemos assim: já que o Estado não oferece o serviço, cabe a nós encontrarmos alternativas que resolvam o problema, por mais que saibamos que esse é o papel dos governantes que escolhemos.

Aqui acrescento outra questão: entrar pra uma universidade pública independe, a meu ver, de pobreza ou riqueza. Depende de mérito, estudo e dedicação. É um princípio, uma ação. Depende do movimento que o candidato a uma vaga faz em direção ao seu objetivo, buscando recursos, por mais que estes faltem. Isso explica porque tantos alunos, mesmo de alto poder aquisitivo, reprovam em diversas matérias e muitas vezes até trancam o curso por não obter rendimento adequado. Acontece com todos, independentemente de cor ou raça.

Anticonstitucional não é o sistema de cotas em si, mas sim o desrespeito à igualdade de direitos dos cidadãos prevista na constituição que ele causa. Noção e sentimento de igualdade que devem partir, também, daqueles que almejam ingressar na universidade pública e obter um ensino superior (nem tão) de qualidade.

Saiba mais:

Vote aqui:
O sistema de cotas é a única alternativa para permitir o acesso de negros, índios, estudantes da rede pública e deficientes físicos, entre outros, às universidades fluminenses?
( ) Sim. É um recurso mais imediato que não é inteiramente correto, mas resolve o problema.
( ) Não. Esta é uma discussão que leva tempo e deve envolver toda a sociedade, e não apenas os governantes.

Opine aqui:
Na sua opinião, o sistema de cotas resolve o problema do ingresso às universidades públicas fluminenses?

O polêmico fim das cotas nas Universidades do Rio de Janeiro

Por: Aline Mendes (opinião)
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decretou
o fim das cotas nas Universidades Fluminenses,decreto que está dando muito o que falar. O Governo do Estado já entrou na justiça para assegurar o direito dos alunos privilegiados por esse sistema.
Segundo o autor do pedido, o deputado estadual do Partido Progressita Flávio Bolsonaro,as cotas são discriminatórias com todos pois ao mesmo tempo que privilegiam um setor,causa demérito para o outro.
O sistema de cotas do Rio de Janeiro funciona da seguinte forma: 20% das vagas são reservadas para alunos de escola pública,outros 20% para negros ou indígenas e 5% para pessoas com deficiência física e filhos de bombeiros, policiais ou agentes penitenciários mortos ou incapacitados em serviço, ou seja, 45% das vagas eram reservadas para os cotistas.
É injusto separar quase metade das vagas para cotas, assim como é injusto não ter representantes de todas as classes sociais e de todas as raças nas universidades. As cotas não resolvem um problema que é muito antigo no Brasil: a desigualdade social.
Na verdade, tudo isso acaba ofuscando uma discussão muito maior que é a educação no nosso país. Se a escola pública fosse de qualidade, desde o ensino básico,ninguém precisaria de cota para entrar em qualquer instituição,por mais difícil que fosse.
A cota sempre foi uma solução emergencial e temporária para resolver a grande falta de oportunidade dessa parcela da população e se ao mesmo tempo houvesse um trabalho de reestruturação do ensino público, as cotas poderiam acabar e ninguém iria perceber.
Saiba mais:
Enquete:
O sistema de cotas realmente é discriminatório, como afirma o deputado Flávio Bolsonaro?
( ) Sim. Ninguém pensa na outra parte dos estudantes que se dedicam o ano todo e perdem a vaga para um cotista.
( ) Não.Discriminatório é não ter negros, índios, portadores de deficiência e estudantes de escola pública dentro das universidades.
Fórum:
Esse sistema de cotas existente no Brasil é o ideal? Se não, como deveria ser?