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terça-feira, 9 de junho de 2009

Sistema de cotas, com os seus dias contados?

Por: Camilla Fernandes (opinião)

Mesmo com a decisão da Justiça em manter o sistema de cotas para o vestibular deste ano, a polêmica ainda está longe de terminar. Porque a lei de cotas levanta as seguintes indagações: é realmente necessário um sistema de costas para fazer com que os menos favorecidos entrem para a universidade? Não seria melhor reformular o ensino fundamental? Fornecer cursos gratuitos para alunos dos colégios públicos para que estes estejam no mesmo nível com dos alunos do colégio privado?


O sistema de cotas tem bem o seu lado de discriminação, não só com os cotistas quanto aqueles que tentam o vestibular sem esse auxílio. Pois dividi o público em dois grupos: entre aquele que não podem entrar sem a ajuda do governo e aqueles que podem. O que é errado, pois já começa uma discriminação não só de cor como também a desigualdade para entrar na universidade. Pois com a cota, o vestibulando tem mais chance de entrar do que outro que esteja concorrendo - sem conta - de passar.


As cotas foram criadas pelo governo para dar chances aos alunos de colégio públicos, negros, carentes, para entrar para a universidade. Só que ao diferenciar esta classe desfavorecida este sistema também acaba por desfavorecer aqueles que não fazem parte deste grupo carente. A cota até ajuda o jovem a entrar, porém se ele não tiver garra, confiança, e gosto pelo estudo não vai adiantar em nada, o mesmo vale para o jovem de classe alta.


A solução para este problema, não é manter ou não o sistema de cotas. O governo tem que sim criar novos programas educativos, incentivar tantos alunos e professores para a educação. Tem que melhorar o ensino básico e fundamental, proporcionando uma bagagem cultural equivalente ao que é fornecido pelos colégios particulares. Assim o sistema de cotas não terá mais tanta força: porque todos os vestibulandos estarão no mesmo nível cultural e educacional.


Saiba mais:

Pesquisa do Senado mostra rejeição ao sistema cotas raciais

Decisão que suspende cotas no RJ só entrará em vigor em 2010


Vote aqui:

Você acredita que o sistema de cotas é a melhor solução para integrar os negros, carentes, índios na universidade?

( )Sim, esta é a melhor alternativa no momento.

( )Não, porque esta medida acaba discriminando este público, como se ele não fosse capaz de ingressar na universidade sem o apoio do governo.


Opine aqui:

Você é cotista ou não? Como você avalia este sistema?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Fim das cotas

Por: Joyce Felipe (Opinião)

A discussão sobre o sistema de cotas nas universidades é alarmada pelo fato de negros terem direito a 20% das vagas, assim como estudantes de escolas públicas terem outros 20%. O que não se comenta é que, em ambos os casos, as universidades dão essas cotas a candidatos considerados carentes, mediante pesquisa socioeconômica. Não é qualquer pessoa da raça negra nem qualquer estudante de escola pública (aberta a quem quiser, indendente da classe social).

O sistema de cotas aqui no Brasil, não seria tão necessário quanto nos EUA (onde foi criada essa idéia). Lá, o racismo era mais descarado, o negro tinha que dar o lugar no ônibus para o branco, coisas assim. O que houve lá foi uma tentativa do governo deacabar com o racismo.
Aqui no Brasil, embora o racismo seja mais velado (e pode-se reclamar na justiça se por acaso houver alguma prática racista), ele existe. O fato de os negros estarem numa situação tão mais precária que a dos brancos possui raízes históricas que não foram exterminadas do imaginário dos mais abastados - e brancos.

Mas o que tem que melhorar mesmo no Brasil é a educação. O governo tem responsabilidade nisso? Tem, lógico. É necessário que se invista mais na educação. Na melhoria de condições de trabalho dos professores - não só o salário, mas também a carga horária deles deveria ser mais flexível. O que adianta cobrar dos professores aperfeiçoamento se mal dá para eles viverem com o salário de uma só escola? O que parece é que o governo está empurrando o ensino fundamental e médio com a barriga. O que acaba acontecendo é que o sistema privado, com mais dinheiro e condições de proporcionar determinadas necessidades acabam sendo as primeiras colocadas nos vestibulares.

O mais irônico nisso tudo é que o ensino público gratuito é destinado principalmente a pessoas que não tem condições de pagar por uma faculdade. Como as universidades públicas cobram matérias absurdas, que normalmente não está nos planos didáticos das escolas, quem tem dinheiro para pagar um bom professor estuda e passa na prova. Se não passar, paga uma faculdade particular. E quem quer entrar na universidade mas não tem condições de pagar? Existe o ProUni, mas nem todos conseguem e, ainda por cima, está sendo mais utilizado por pessoas de maior poder aquisitivo do que por quem realmente precisa.

É muito cômodo alguém falar que os meninos pobres e negros preferem jogar futebol do que estudar. Uma justificativa muito fútil de quem desvia dinheiro do ProUni, do Bolsa Escola. Não estou dizendo que a preferência pelo futebol entre alguns meninos carentes é balela. É claro que isso existe. Os que de fato preferem ganhar a vida no futebol quer ter as mesmas oportunidades que o menino da elite - que faz arruaça e bate em empregadas e prostitutas - recebe do pai de mão beijada. Sabem que o governo não investe no futuro deles.

O mais preocupante dessa história é que existe a possibilidade de, a pessoa negra - ou indígena - que entrar na universidade corre o risco de ser ainda mais discriminada do que era antes. E pior: o preconceito se estender para o mercado de trabalho.

O sistema de cotas, em si, já constitui a diferenciação do cidadão. Pela Constituição, todos tem direitos, independente de cor, credo, classe social, opção sexual, nacionalidade, naturalidade etc. Se houver um investimento maior em educação, qualquer pessoa poderá entrar na universidade. Não será preciso burlar a Constituição para garantir que isso aconteça.

Fórum:
Você já entrou em alguma universidade pelo sistema de cotas?

Enquete:
Fim das cotas nas Universidades Estaduais:
( ) Uma pena, já que existe um abismo muito grande nas universidades entre os números de negros e brancos.
( ) Até que enfim! Todos temos direitos iguais, segundo a Constituição.
( ) Não acredito que haja uma diferenciação tão grande entre brancos e negros, ricos e pobres na universidade. Lá, é cada um por si.

Saiba mais:
Uerj quer embargo na decisão que suspendeu sistema de cotas